Os municípios da Região Norte recebem nesta quinta-feira (10) mais de R$ 674 milhões do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O repasse é referente ao primeiro decêndio de fevereiro. No mesmo período do ano passado, as prefeituras embolsaram cerca de R$ 502 milhões, ou seja, esta transferência é 34% maior e representa aumento real de recursos para os cofres municipais mesmo com inflação acumulada de 10,38% nos últimos doze meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

As 61 prefeituras do estado do Amazonas, exceto Manaus, vão receber R$ 118,7 milhões do FPM. No mesmo decêndio de 2021, embolsaram pouco mais de R$ 88 milhões. Em Manaquiri, que fica na Região Metropolitana de Manaus, o FPM corresponde a 50% das receitas do município. O prefeito da cidade e presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Jair Souto, destaca que o fundo é fundamental para os gestores, sobretudo das cidades pequenas. 

“A importância do FPM é garantir a cobertura do elevado custeio para todos os municípios,  sobretudo os pequenos municípios do Brasil, já que base de arrecadação nesses municípios é o FPM e o ICMS, ou seja, nós não temos arrecadação própria na maioria dos municípios do Brasil. O FPM é fundamental. Porém, esse aumento não significa quando temos uma inflação e os aumentos de forma desenfreada dos produtos e serviços no Brasil”, afirma. 
 
Os municípios paraenses vão receber mais de R$ 314 milhões. Já as prefeituras do Tocantins vão partilhar R$ 123,5 milhões da transferência, por sua vez. 

Confira abaixo o repasse para as prefeituras dos demais estados:

  • Rondônia - R$ 71,2 milhões
  • Acre - R$ 25 milhões
  • Amapá - R$ 13,2 milhões 
  • Roraima -  R$ 8,1 milhões

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Variação

Vale destacar que o primeiro repasse do FPM costuma ser o maior, porque é resultado do recolhimento dos impostos que vencem no fim do mês anterior, destaca Cesar Lima, especialista em Orçamento Público. A transferência do próximo dia 10, por exemplo, tem origem na arrecadação do Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) entre os dias 20 e 30 de janeiro. 

Já o segundo decêndio, cujo repasse ocorre, em geral, no dia 20, costuma ser o menor em cada mês. Por fim, o montante volta a subir no terceiro decêndio. Por isso, para saber se o repasse do FPM aumentou ou diminuiu, as prefeituras devem fazer esse cálculo comparando o decêndio atual com o mesmo do ano anterior. “A comparação se o FPM está ascendente ou descendente dentro de um mesmo mês é complicada. É melhor ou pegar uma série de meses dentro do mesmo ano ou, até mesmo a título de comparação, de um exercício para o outro”, orienta Cesar. 

Confira quanto seu município vai receber

O que é o FPM

O FPM é um fundo pelo qual a União repassa, a cada dez dias (por isso o nome “decêndio”), 22,5% do que arrecada com o IR e com o IPI aos municípios. A cada mês, portanto, são três transferências, que ocorrem nos dias 10, 20 e 30. Se a data cair no sábado, domingo ou feriado, o repasse é antecipado para o primeiro dia útil anterior. 

O dinheiro das prefeituras é creditado pelo Banco do Brasil. Os percentuais de participação de cada município são calculados anualmente pelo TCU de acordo com o número de habitantes de cada cidade e a renda per capita dos estados. Os municípios são divididos em três categorias: capitais, interior e reserva. As capitais dos estados e Brasília recebem 10% do FPM. Os demais municípios brasileiros são considerados de interior, e embolsam 86,4% do fundo. Já os municípios de reserva são aqueles com população superior a 142.633 habitantes e recebem – além da participação como município de interior – uma cota adicional de 3,6%.  

Bloqueio

De acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional, até 09 de fevereiro, 12 municípios estavam entre os entes bloqueados por causa de alguma pendência. Entre os principais motivos para bloqueio estão: ausência de pagamento da contribuição ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), dívidas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), débitos com a inscrição da dívida ativa pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), e falta de prestação de contas no Sistema de Informações sobre Orçamento Público em Saúde (Siops).

Para desbloqueio do repasse, o município deve identificar o órgão que determinou o congelamento. Em seguida, deve conhecer o motivo e regularizar a situação. 

Confira a lista dos municípios com repasses bloqueados

  • Aperibe (RJ)
  • Balsas (MA)
  • Cambuci (RJ)
  • Carapebus (RJ)
  • Cotia (SP)
  • Floriano (PI)
  • Itaporanga D’Ajuda (SE)
  • Mangaratiba (RJ)
  • Petrópolis (RJ)
  • Rio das Ostras (RJ)
  • São João de Meriti (RJ)
  • Silva Jardim (RJ)